O "pastor" E A BRINCADEIRA DA
GIRAFA - PARTE 1 de 5 (publicação do dia 05 de Novembro de 2013
Possivelmente o
leitor se lembra da brincadeira da girafa, que se tornou um viral no Facebook
entre os meses de setembro e outubro de 2013. Esta brincadeira consistia em
responder a uma charada e, se a resposta fosse errada, a pessoa devia trocar a
sua foto de capa no FB por uma foto qualquer de uma girafa. Alguns sabem e
outros não, que um homem que se diz pastor de uma comunidade que se denomina
como igreja em alguma cidade do Rio Grande do Sul, tentou satanizar esta
brincadeira, publicando em sua página no FB afirmações absurdas e totalmente
desprovidas de fundamento aceitável. Este fato levou a mim e a minha esposa a
interromper a sequência das lições que nós vinhamos aplicando em nossa classe
de EBD para introduzir, a partir do dia 03.11.2013 um estudo que refutasse as
colocações desastrosas do pretenso ministro em questão. O conteúdo deste estudo
encontra-se nos textos abaixo e foram também publicados em cinco etapas no FB a
partir do dia 05 de novembro daquele mesmo ano.
SOBRE GIRAFAS E DEMÔNIOS
PERGUNTA: O que há
em comum entre uma espada, uma régua, uma coruja, um esquadro, um bode, uma
serpente e um compasso?
De fato, réguas,
compassos e esquadros são instrumentos utilizados por engenheiros, arquitetos e
matemáticos que trabalham com geometria. Os animais são de interesse dos
biólogos e dos veterinários; e a espada só interessa aos esportistas
praticantes da esgrima e aos colecionadores de antiguidades. Então, o que pode
ligar todos estes elementos, ou a maioria deles a um só significado ou contexto
comum, de maneira que, olhando para qualquer um deles, você se lembrasse da
mesma coisa? A resposta é: a intenção e o objetivo.
Você acreditaria se
eu dissesse que os itens da lista que eu mencionei na pergunta, ou boa parte
deles, podem ser encontrados em templos onde se pratica a magia negra? Sim, é
isto mesmo. Mas separadamente e usados com intenções e objetivos inofensivos,
não possuem outros significados. O engenheiro, por exemplo, vai usar a régua, o
compasso e o esquadro para os projetos de construção que vão gerar morada e
emprego para muitas pessoas. Estudando os recursos de voo da coruja, outro
engenheiro pode construir aviões mais silenciosos e sistemas de localização
pelo som. O biólogo vai usar o veneno da serpente para produzir soro contra
aquele veneno e salvar muitas vidas. O veterinário vai procurar entender a
saúde do bode para tratar de rebanhos. O esportista vai usar a espada para
praticar a esgrima e ganhar medalhas para o seu país, ou o colecionador vai
exibir outra espada numa exposição ou museu e vai produzir cultura. Tudo
depende da intenção e do objetivo.
Ninguém imagina, por
exemplo, que um homem que entra em um supermercado e efetua uma compra de
detergente, desinfetante, sal e bicarbonato de sódio esteja com más intenções.
Na verdade, ele pode estar apenas levando coisas que faltam em sua casa, a
pedido da esposa ou da mãe, mas a verdade é que com estes ingredientes, somados
a outros que se pode adquirir facilmente numa farmácia é possível produzir uma
bomba de fabricação caseira. Então, como se vê, tudo depende muito da intenção
e do objetivo. A arma de fogo nas mãos do policial tem o objetivo de garantir a
nossa segurança; já nas mãos do criminoso produz morte e terror.
A Razão desta
abordagem é que ultimamente tenho visto na rede social uma onda de comentários
sobre uma brincadeira que se tornou polêmica: o enigma da girafa. Se a pessoa
que criou esta brincadeira queria usar um truque de MÍDIA EXPONTÂNEA para fazer
uma propaganda de segmentos comerciais que usam a figura da girafa como
logomarca, eu não sei e não vou me aventurar a afirmar, mas não seria surpresa
também, afinal a criatividade das pessoas não conhece limites.
Como diria o cantor
e compositor Peninha em uma música já antiga: “Tudo era apenas uma brincadeira.
E foi crescendo... crescendo...” O enigma da girafa era para ser uma
brincadeira, mas um homem chamado Carlo Ribas, que se anuncia como ex-satanista
e especialista em batalha espiritual, se diz pastor, lidera uma igreja criada
por ele segundo uma “visão espiritual” dada por Deus, chamada: ministério unção
e poder; teve a pretensão de “discernir” esta brincadeira como sendo uma
armadilha do satanismo, e postou em uma das duas páginas da sua “igreja” no FB
um texto difícil de classificar em poucas palavras, no qual ele pretende
“alertar” as suas ovelhas.
O texto ganhou
repercussão nacional, gerou polêmica e muitas críticas. Além de ter criado mais
um desgaste para a imagem dos legítimos pastores, os maiores prejuízos do texto
de Carlo Ribas sobre o enigma da girafa são o medo e a apologia a um
comportamento vicioso muito comum em igrejas que eu chamo de “paranoia
espiritual” ou a velha e má superstição, inspirados e incentivados pelo texto
elaborado por ele. E as maiores vítimas disto são os crentes recém-convertidos
(portanto imaturos na fé) e os jovens cristãos que estão desenvolvendo sua
maturidade em todos os sentidos, inclusive o espiritual.
Abaixo segue a
continuidade do estudo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário