segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O "pastor" E A BRINCADEIRA DA GIRAFA - PARTE 1 de 5 (publicação do dia 05 de Novembro de 2013

Possivelmente o leitor se lembra da brincadeira da girafa, que se tornou um viral no Facebook entre os meses de setembro e outubro de 2013. Esta brincadeira consistia em responder a uma charada e, se a resposta fosse errada, a pessoa devia trocar a sua foto de capa no FB por uma foto qualquer de uma girafa. Alguns sabem e outros não, que um homem que se diz pastor de uma comunidade que se denomina como igreja em alguma cidade do Rio Grande do Sul, tentou satanizar esta brincadeira, publicando em sua página no FB afirmações absurdas e totalmente desprovidas de fundamento aceitável. Este fato levou a mim e a minha esposa a interromper a sequência das lições que nós vinhamos aplicando em nossa classe de EBD para introduzir, a partir do dia 03.11.2013 um estudo que refutasse as colocações desastrosas do pretenso ministro em questão. O conteúdo deste estudo encontra-se nos textos abaixo e foram também publicados em cinco etapas no FB a partir do dia 05 de novembro daquele mesmo ano.


SOBRE GIRAFAS E DEMÔNIOS


PERGUNTA: O que há em comum entre uma espada, uma régua, uma coruja, um esquadro, um bode, uma serpente e um compasso?

De fato, réguas, compassos e esquadros são instrumentos utilizados por engenheiros, arquitetos e matemáticos que trabalham com geometria. Os animais são de interesse dos biólogos e dos veterinários; e a espada só interessa aos esportistas praticantes da esgrima e aos colecionadores de antiguidades. Então, o que pode ligar todos estes elementos, ou a maioria deles a um só significado ou contexto comum, de maneira que, olhando para qualquer um deles, você se lembrasse da mesma coisa? A resposta é: a intenção e o objetivo.

Você acreditaria se eu dissesse que os itens da lista que eu mencionei na pergunta, ou boa parte deles, podem ser encontrados em templos onde se pratica a magia negra? Sim, é isto mesmo. Mas separadamente e usados com intenções e objetivos inofensivos, não possuem outros significados. O engenheiro, por exemplo, vai usar a régua, o compasso e o esquadro para os projetos de construção que vão gerar morada e emprego para muitas pessoas. Estudando os recursos de voo da coruja, outro engenheiro pode construir aviões mais silenciosos e sistemas de localização pelo som. O biólogo vai usar o veneno da serpente para produzir soro contra aquele veneno e salvar muitas vidas. O veterinário vai procurar entender a saúde do bode para tratar de rebanhos. O esportista vai usar a espada para praticar a esgrima e ganhar medalhas para o seu país, ou o colecionador vai exibir outra espada numa exposição ou museu e vai produzir cultura. Tudo depende da intenção e do objetivo.

Ninguém imagina, por exemplo, que um homem que entra em um supermercado e efetua uma compra de detergente, desinfetante, sal e bicarbonato de sódio esteja com más intenções. Na verdade, ele pode estar apenas levando coisas que faltam em sua casa, a pedido da esposa ou da mãe, mas a verdade é que com estes ingredientes, somados a outros que se pode adquirir facilmente numa farmácia é possível produzir uma bomba de fabricação caseira. Então, como se vê, tudo depende muito da intenção e do objetivo. A arma de fogo nas mãos do policial tem o objetivo de garantir a nossa segurança; já nas mãos do criminoso produz morte e terror.

A Razão desta abordagem é que ultimamente tenho visto na rede social uma onda de comentários sobre uma brincadeira que se tornou polêmica: o enigma da girafa. Se a pessoa que criou esta brincadeira queria usar um truque de MÍDIA EXPONTÂNEA para fazer uma propaganda de segmentos comerciais que usam a figura da girafa como logomarca, eu não sei e não vou me aventurar a afirmar, mas não seria surpresa também, afinal a criatividade das pessoas não conhece limites.

Como diria o cantor e compositor Peninha em uma música já antiga: “Tudo era apenas uma brincadeira. E foi crescendo... crescendo...” O enigma da girafa era para ser uma brincadeira, mas um homem chamado Carlo Ribas, que se anuncia como ex-satanista e especialista em batalha espiritual, se diz pastor, lidera uma igreja criada por ele segundo uma “visão espiritual” dada por Deus, chamada: ministério unção e poder; teve a pretensão de “discernir” esta brincadeira como sendo uma armadilha do satanismo, e postou em uma das duas páginas da sua “igreja” no FB um texto difícil de classificar em poucas palavras, no qual ele pretende “alertar” as suas ovelhas.

O texto ganhou repercussão nacional, gerou polêmica e muitas críticas. Além de ter criado mais um desgaste para a imagem dos legítimos pastores, os maiores prejuízos do texto de Carlo Ribas sobre o enigma da girafa são o medo e a apologia a um comportamento vicioso muito comum em igrejas que eu chamo de “paranoia espiritual” ou a velha e má superstição, inspirados e incentivados pelo texto elaborado por ele. E as maiores vítimas disto são os crentes recém-convertidos (portanto imaturos na fé) e os jovens cristãos que estão desenvolvendo sua maturidade em todos os sentidos, inclusive o espiritual.

Abaixo segue a continuidade do estudo.

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