"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro."(Mateus 13: 30)
Você já viu o filme: O Resgate do Soldado Ryan? Lembra da primeira cena do filme? Um combate entre o exército americano e o exército alemão ocorre em 06 de Junho de 1944 na praia de Omaha. Os soldados americanos chegam pelo mar em um veículo anfíbio blindado. Tão logo a porta do veículo se abre para os soldados desembarcarem, o exército alemão abre fogo com metralhadoras de grosso calibre e muitos soldados americanos são atingidos e mortos ainda dentro do veículo. Outros destes soldados feridos pelos disparos, mas ainda vivos, morrem afogados com o peso do próprio equipamento de levam consigo. Os que sobrevivem encaram um massacre brutal, desumano, covarde e sobremodo sangrento. Poucos conseguem sobreviver.
Clique aqui para ver parte desta cena (ATENÇÃO: IMAGENS FORTES! Certifique-se de que não há crianças por perto)
Há dias que estou por escrever esta reflexão,
e encontrei nesta cena a metáfora perfeita para descrever os primeiros passos
de muitos – senão de todos – os cristãos. Quando a pessoa é só um visitante na
igreja e ainda não se decidiu pela conversão, ela é comparável com os homens no
veículo anfíbio. Ela está cercada pelo mar turbulento e incerto do mundo em
trevas e da vida de pecados. À sua frente tem chão firme, mas ela é esperada
pelo inimigo fortemente armado e disposto a atacar assim que o ver
desprotegido. Quando a conversão e o batismo acontecem, ela torna-se um soldado
de Cristo e recebe a armadura de Deus descrita em Efésios 6. Então a porta do
veículo blindado se abre, e ela passa a ser um alvo na mira do inimigo, que
abre fogo impiedosamente.
Eu já percebi que existe um tipo particular
de crente que não conhece o significado espiritual do batismo em águas. E não é
pra menos; pois nem o significado objetivo do batismo a pessoa conseguiu
entender, embora tenha passado pelo discipulado. Tais pessoas encaram o batismo
como uma formalidade social para ser recebido como membro em alguma comunidade. E pasmem; mas não são poucas as pessoas que ingressam às igrejas evangélicas e buscam o batismo em águas pelo glamour que elas enxergam no simples fato de estarem em
evidência por trinta segundos ou menos, vestidos de branco e à vista de toda ou
quase toda a igreja local.
É por esta classe de "crente" que eu sinto um misto de pena e
aversão: os equivocados nada sinceros. Aqueles que são fúteis ao ponto de acharem “in”, moderno, chique, divertido, ou que é moda a decisão de "virar crente". O crescente (e por vezes contestável) número de artistas que buscam a conversão ao protestantismo para estarem em evidência na mídia, é um fator motivador deste comportamento. Imitar quem é popular para se tornar popular
também e se colocar no centro das atenções, ainda que por míseros trinta
segundos, configura um mal que tem nome próprio: se chama mimetismo e deveria ter ficado para trás com o amadurecimento natural que, aos poucos, deixa a adolescência para trás. Eu sinto pena, porque o
diabo sabe quem tem esta motivação e ele tira muito proveito
de mais esta nuance do ser humano – a futilidade – para arrebatar almas para
si. E como ele é bom em fazer isto! E eu sinto aversão, porque esta classe de "crente" não representa com honra a integridade da igreja cristã evangélica.
Para os desavisados de plantão o batismo em
águas (e entendam aqui que eu estou me referindo ao legítimo batismo, ou seja, aquele que ocorre por decisão e escolha consciente do indivíduo e se dá por imersão - ou mergulho - do candidato em um bom volume de água) anuncia, tanto para a sociedade que nos cerca no mundo físico quanto para anjos e demônios no mundo espiritual, que o indivíduo escolheu
um lado: o da verdade, da justiça, do bem, da luz. Muitos ignoram isto, mas
quem encara o batismo bíblico e cristão declara guerra a Satanás. Ora, se ele
já nos odeia por apenas existirmos, imagine o que ele passa a sentir por nós quando decidimos ser legitimamente batizados! Até um segundo antes do novo convertido ser mergulhado nas águas, o
diabo planeja, mas não faz nada, porém assim que o novo convertido emerge, o diabo aperta o gatilho da sua “metralhadora giratória”, e abre fogo
impiedosamente contra a vida dele. “Amigo ou simpatizante de Cristo, é inimigo
meu”. Este é o lema de Satanás para com quem se converte ao caminho de Jesus.
Eu sei que isto assusta e pode desmotivar alguns. Colocando assim, alguns candidatos podem concluir que não é vantagem "virar crente"; mas este é o ponto: não se trata de "virar crente" e sim de seguir a Jesus. Quem se assusta e recua diante da minha colocação precisa rever a sua motivação para ser convertido ao caminho do evangelho de Cristo e se perguntar: "eu quero ser cristão para a glória de Cristo, ou para a minha glória?" Para os sinceros na sua fé e convicção, a proteção de Deus através do Espírito Santo e a guarda dos anjos é um fato. Já para os que ingressam no hall de membros da igreja como quem se associa a um clube vale lembrar que Deus sonda os corações. Para todos é imperativo saber que Deus não interfere no nosso livre arbítrio, mas o Diabo não está preso o dever de obedecer esta regra e faz de tudo para que o novo crente escolha coisas que vão levá-lo à autodestruição.
Infelizmente isto não é ensinado nos
discipulados. Talvez o receio de se afugentar almas PRE$$IO$A$ (qualquer erro ortográfico não é mera coincidência) faz com que ninguém
alerte os novos crentes para a realidade dura do que é ser cristão. E talvez esta seja a causa de, atualmente, encontrarmos tantas igrejas inchadas de pessoas que jamais foram de fato cristãs.
É por isto que eu uso a metáfora do “blindado de guerra”. Quando "a porta" dele se abre, estas pessoas são atingidas
pelo inimigo e afundam pelo peso das suas próprias vaidades e cuidados
excessivos. A armadura de Deus deveria ser mais que suficiente, mas o intelecto
carnal recomenda que uma mochila cheia de futilidades é indispensável, quinze quilos de arrogância podem ser necessários; dez
quilos de língua venenosa às vezes fazem falta; cinco quilos de juízo
pré-concebido sempre têm alguma utilidade e uma pitada de olhar malicioso e
outra de altivez ajudam a manter o respeito. Nestas condições, o diabo nem
precisa fazer muito: uma palavra impensada de um irmão aqui, um comentário “sem
intenção” de outro irmão ali, uma ofensa descarada e proposital de alguém menos
consagrado lá adiante, e pronto! O peso da natureza sórdida do novo “crente” faz o
resto, e ele afunda lenta e vertiginosamente no abismo profundo do oceano da apostasia.
Em outubro de 2015 eu farei vinte anos de convertido. Ao longo deste tempo eu tenho
visto claramente isto acontecer na vida de muitas pessoas e ainda fico perplexo
por ver como elas não conseguem enxergar que estão sob um notório ataque sem
tréguas do inimigo. Frequentam a Igreja por mais de um ano sem se decidirem pelo
batismo, mas, imediatamente após fazê-lo, são "feridos" e se afastam, saem da igreja com menos
de um mês de batismo. Dizem-se ofendidos, humilhados, injustiçados e lesados em
seus sentimentos pelas palavras de alguém e, debaixo dessa e de outras
desculpas esfarrapadas, não encontram lugar em nenhuma das muitas denominações
existentes da Igreja Cristã. E quando fica só nisto ainda temos que dar graças porque, neste jogo, o diabo consegue bônus de pontuação máxima quando o infeliz desgarrado (melhor seria dizer: renegado) resolve criar a sua própria denominação.
Questionadas sobre o porquê desta
atitude extrema, tais pessoas respondem com aquela mescla de falsa maturidade espiritual, altivez e arrogância: “eu não sinto mais a presença
do Espírito Santo naquela igreja”, ou ainda: “deixei de sentir a liberdade para
cultuar ali”.
Neste ponto eu não resisto e pergunto: o que
você sabe sobre o Espírito Santo sendo que não tem convivência alguma com Ele? Você sabe que
é pecado de blasfêmia essa prática de colocar as suas frustrações pessoais na
“conta” do Espírito Santo? Se você tem uma experiência verdadeira de encontro
com Jesus, então por que você ainda não foi liberto (a) do velho homem ou da
velha mulher? Por que o Espírito Santo ainda não abriu os seus olhos para
a diferença gritante que existe entre você, que falta pouco pendurar uma
melancia no pescoço pra mostrar que é “crente” e os verdadeiros cristãos, que
mostram quem são pelo testemunho de ter Jesus na vida deles? Por que, antes do
seu batismo, nada lhe feria e agora, depois dos seus trinta segundos de fama, o
mínimo erro do seu irmão tem o mesmo peso de uma lança lhe transpassando as
costas. Um passo infeliz do outro não pode contar com o seu perdão, mas você
arrota aos quatro ventos que é cheio do Espírito Santo. Onde você é cheio do
Espírito? No seu pendrive, ou no seu smartphone?
É muito fácil aceitar Jesus como salvador e
Senhor. Difícil é segui-Lo como Ele nos ensinou, ou seja, olhando para Ele e
não para o homem. Você, que se afasta da igreja motivado pela sua própria incapacidade de perdoar, na verdade está punindo Jesus pelo que Ele não fez e penalizando a
Igreja pelo que não é responsabilidade dela. Você está olhando para o homem, quando
devia estar com o foco em Cristo. Leia a parábola do semeador e admita: você só
não enquadra na última parte dela. Você é facilmente devorado (a) pelos argumentos do diabo, não cria raízes em denominação alguma,
é sufocado por qualquer dificuldade (algumas delas criadas por você mesmo) e
nunca – repito – nunca produz fruto digno, porque os seus frutos são os da carne e, portanto, podres. As
suas fotos publicadas no Facebook com legendas de adoração vazias, não são
frutos espirituais. Antes, são exaltações ao seu próprio ego e glorificam somente
a sua pessoa. Entenda isto: o antropocentrismo não é uma evidência do Espírito Santo na vida
de quem quer que seja.
Eu entendo o seu cansaço no final de semana,
mas o Baal do século XXI (a televisão) não produz vida abundante em Cristo, mesmo que você só a sintonize em cultos televisivos. As
repetições de novelas mexicanas não são códigos de ética a serem seguidos. Os filmes estrangeiros onde o bem vence o mal e as
derrotas ou vitórias do seu time de futebol não se comparam ao bom combate de
ganhar almas para o Reino de Deus. Como cristão sincero ou não, uma das coisas que você deve buscar é crescer em maturidade cristã e desaparecer para que
Jesus se torne evidente em sua vida.
Que a graça de HaShem possa abençoá-lo.

