(publicado no FB em 25 de
fevereiro de 2014)
1 Coríntios 7: 20 – “Cada um
fique na vocação em que foi chamado.”
No primeiro livro do
profeta Samuel, no capítulo 13, versos de 1 a 14 temos uma situação que muito
nos interessa para os dias de hoje.
Saul, o escolhido do povo para ser o primeiro rei de Israel e ungido por Samuel pela vontade permissiva de Deus (não a perfeita – note-se), no exercício da autoridade real tomou arbitrariamente o lugar do profeta Samuel e ofereceu um holocausto e ofertas pacíficas ao Senhor. Para nós, nos dias de hoje, quando Jesus nos garantiu acesso direto ao Senhor, isto pode parecer normal; afinal, Saul estava oferecendo sacrifício a Deus e isto parecia e deveria ser bom. Acontece que, naquele tempo, somente o sacerdote era autorizado por Deus a realizar este ofício e, fazendo isto, Saul transgrediu não apenas a lei do sacerdócio, mas também um mandamento expresso do Senhor a ele. Para com Deus, foi uma precipitação, uma desobediência. Para com Samuel, o sacerdote e profeta, foi uma indelicadeza.
Saul, o escolhido do povo para ser o primeiro rei de Israel e ungido por Samuel pela vontade permissiva de Deus (não a perfeita – note-se), no exercício da autoridade real tomou arbitrariamente o lugar do profeta Samuel e ofereceu um holocausto e ofertas pacíficas ao Senhor. Para nós, nos dias de hoje, quando Jesus nos garantiu acesso direto ao Senhor, isto pode parecer normal; afinal, Saul estava oferecendo sacrifício a Deus e isto parecia e deveria ser bom. Acontece que, naquele tempo, somente o sacerdote era autorizado por Deus a realizar este ofício e, fazendo isto, Saul transgrediu não apenas a lei do sacerdócio, mas também um mandamento expresso do Senhor a ele. Para com Deus, foi uma precipitação, uma desobediência. Para com Samuel, o sacerdote e profeta, foi uma indelicadeza.
Saul cometeu este
erro porque queria agradar o povo, então foi um ato político e não um ato
espiritual. Mesmo que a motivação de Saul fosse agradar ao Senhor, ele estaria
errado em fazer o que fez, mas foi pior: Saul estava preocupado com a opinião
pública muito mais do que em agradar a Deus. E no meio político, quando uma
autoridade passa por cima de outra autoridade isto tem um nome: chama-se
INGERÊNCIA.
Se observarmos bem,
veremos que os políticos têm esta preocupação: servir ao povo e agradá-lo. Por
isto vemos tantas obras serem feitas em ano de eleições e acontece que 2014 é
ano de eleições.
O evento descrito em
1 Samuel 13 nos deixa clara uma coisa: rei é rei; sacerdote é sacerdote. O
primeiro serve e busca agradar ao povo e o segundo vive para servir e agradar a
Deus. Então quando um homem que já tem a sua vida entregue a Jesus Cristo e
serve a Deus como líder eclesiástico decide entrar também para a vida política,
ele está assumindo uma responsabilidade que, mais cedo ou mais tarde, irá
dividi-lo. É muito difícil – senão impossível – agradar ao mesmo tempo a Deus e
ao povo. Basta observar que Jesus veio ao mundo para cumprir a vontade de Deus
Pai e, fazendo isto, aborreceu a tantos homens que houve uma conspiração que
acabou por levar Jesus a ser crucificado.
Não é comum ver uma
autoridade política se interessar pela vida eclesiástica. Isto acontece porque,
como político, o homem deve ser flexível e conciliar interesses de pessoas ou
grupo de pessoas de todo tipo de pensamento e posicionamento social, religioso,
econômico e ideológico. E todos nós sabemos que para servir a Deus é preciso
assumir uma postura decisiva contra o pecado e contra as coisas que levam ao
pecado ou o favorecem de alguma forma. Escolher uma postura que se opõe ao
pecado pode significar desagradar a muitas pessoas e perder muitos votos nas
eleições futuras.
Mas o que leva um
líder eclesiástico a fazer isto consigo mesmo? A história nos responde a esta
pergunta em alto e bom tom. No Egito antigo, o faraó era considerado um deus e
os sacerdotes eram seus porta-vozes. Não raro, um sacerdote aspirava a se
tornar deus sobre o Egito. Vamos ver isto se repetindo na história de muitas
nações do mundo.
Seria o dinheiro a razão desta cobiça? Não. É algo maior que o dinheiro: é o poder. E quem pode desejar estas duas autoridades tão opostas sobre si ao mesmo tempo? A resposta é muito simples: aqueles que já foram muito pobres e humildes um dia e odiaram a pobreza ao ponto de determinarem para si mesmos que chegariam tão alto quanto pudessem, talvez para nunca mais serem humilhados. No estudo da psicologia isto tem um nome: recalque; mas também pode ser classificado como megalomania, que é a cobiça doentia do poder pelo prazer de estar no topo da pirâmide social. É este mesmo sentimento que leva simples homens que já foram tão pobres a usarem igrejas para adquirirem bens invejáveis e acumularem fortunas após se tornarem líderes eclesiásticos bem sucedidos.
Seria o dinheiro a razão desta cobiça? Não. É algo maior que o dinheiro: é o poder. E quem pode desejar estas duas autoridades tão opostas sobre si ao mesmo tempo? A resposta é muito simples: aqueles que já foram muito pobres e humildes um dia e odiaram a pobreza ao ponto de determinarem para si mesmos que chegariam tão alto quanto pudessem, talvez para nunca mais serem humilhados. No estudo da psicologia isto tem um nome: recalque; mas também pode ser classificado como megalomania, que é a cobiça doentia do poder pelo prazer de estar no topo da pirâmide social. É este mesmo sentimento que leva simples homens que já foram tão pobres a usarem igrejas para adquirirem bens invejáveis e acumularem fortunas após se tornarem líderes eclesiásticos bem sucedidos.
Como eu já havia
dito, 2014 é ano de eleições. Sei que muitos dos adolescentes que frequentam
a nossa classe de EBD ainda não estão em idade de votar, mas tanto estes quanto
os que já votam, devem observar a movimentação da política. Os políticos são
necessários para a administração pública e para representar os interesses do
povo, mas liderança eclesiástica e liderança política são dois posicionamentos
que não devem ser centralizados na mesma pessoa pelas razões que já expus
acima: os interesses espirituais e os interesses terrenos nem sempre caminham
na mesma direção e quem se liga a ambos tende a se dividir quando ambos
divergem.
A instrução que
recebemos para a escolha dos nossos representantes é que devemos conhecer as
suas propostas e a trajetória de cada candidato. Mas hoje eu quero acrescentar
mais um critério para as nossas escolhas neste sentido: vamos passar a
questionar a motivação destes candidatos. Por que eles desejam tanto ocupar um
cargo na administração pública? Qual é o verdadeiro motivo, a razão fundamental
e verdadeira que está servindo de base, de raiz para esta aspiração, e por que
ela só veio à tona de maneira tão tardia? Eu digo isto, porque muitos políticos
iniciaram as suas trajetórias ainda bem jovens, pois tinham isto por sua real e
principal vocação. Então, por que uma pessoa já realizada em suas aspirações
enche também os olhos e o coração com a ideia do poder político?
Não se trata de
demonizar a política. Ficar alienado quanto à participação da comunidade cristã
nas decisões que nos afetam enquanto igreja, pensando que política é coisa do
diabo é mesmo uma atitude retrógrada e nada inteligente. Trata-se de uma
escolha. Podemos ter candidatos evangélicos na política e eles podem até serem
ministros do evangelho, mas então que eles sejam sóbrios e de bom senso em
admitir que não se pode querer tudo ao mesmo tempo.
No evento descrito
em 1 Samuel 13 Deus exemplifica o que se vê escrito em 1 Coríntios 7: 20 –
“Cada um fique na vocação em que foi chamado.” Antes do apóstolo Paulo escrever
isto, Jesus nos advertiu que ninguém pode servir a dois senhores, porque há de
agradar a um e aborrecer ao outro. Que nós não nos curvemos diante de
argumentos que são como “lábia de vendedor” para nos convencer a fazer o que a
Bíblia nos ensina que não é o correto. Nem sempre quem tem a autoridade de
ministrar a Palavra tem a razão absoluta. Deus nos deu razão, sensibilidade e a
orientação da Palavra d’Ele para que ninguém venha a cometer erros por falta de
conhecimento. O cristão deve ser dependente do Senhor, mas deve exercer a sua
autonomia para dizer não quando isto servir para não alimentar aquilo que Deus
não criou.
Que o Senhor continue a nos iluminar.
Que o Senhor continue a nos iluminar.
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