quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

ISABELLA NARDONI - Nunca Esquecida



Em 25 de Março de 2003, a jovem Gabriela Prado de 14 anos faleceu vítima de bala perdida na saída do metrô no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro.

Na noite do dia 07 de Fevereiro de 2007, o garoto João Helio de 6 anos ficou preso ao cinto de segurança do lado de fora de um carro utilizado por assaltantes em fuga, e foi arrastado por 7 quilômetros. João Hélio perdeu alguns dedos, e teve o crânio esfacelado.

Recentemente, na noite do dia 29 de Março de 2008, a menina Isabella de Oliveira Nardoni faleceu após ter sido esganada, e jogada do sexto andar do Edifício London, no distrito do Tucuruvi em São Paulo.

Balas perdidas são uma desgraça... Mas quem aciona o gatilho da arma de forma irresponsável e inconsequente, não tem maus sentimentos contra quem é atingido.

Os ladrões que em sua fuga mataram o menino João Hélio, não sentiam ódio de sua vítima... Não que eles sejam menos culpados... não... eu não tento aqui diminuir o horror de um crime apresentando outro pior... não entendam assim... mas eles praticaram um roubo, sentiam medo da prisão e desejavam fugir. A morte do menino decorreu em conseqüência da pressa egoísta dos criminosos, e do desprezo pela vida alheia.

Mas o que sente uma pessoa que esgana a própria filha, ou a vê sendo esganada? Admitindo hipoteticamente que não foi o pai, porque ele não impediu a madrasta?

O que sente uma pessoa que atira - do sexto andar de um edifício - a sua própria filha, sendo ela uma menina linda, meiga, inocente, e indefesa?

Os assassinos não estão mais apenas nas ruas, ou nos redutos dos criminosos... eles agora estão dentro das casas das vítimas! Eles dormem no quarto ao lado, eles tomam café da manhã com as vítimas, passeiam com elas nas ruas, comem pipoca, tomam sorvete, ganham beijo, ouvem "eu te amo" e recebem presente no dia dos pais! O que acontece nesta sociedade onde os assassinos das crianças convivem debaixo do seu próprio teto? O que mais ainda está por acontecer?

Quem são os potenciais assassinos que caminham incógnitos entre nós, passando por nós nas calçadas, nos shoppings, e nos supermercados, podendo a qualquer momento fazer uma vítima inocente, motivados por sentimentos de origem desconhecida?

Como nos sentimos ao saber que as crianças que hoje vemos em toda parte, em qualquer situação, podem não sobreviver ao próximo fim de semana?

Como chegamos... a isto?

A família Oliveira é numerosa em nosso país, e se perde em sua genealogia. Eu sou Wildmar de Oliveira Corrêa, parente distante de Isabella. Não fosse por este crime inominável, eu jamais saberia da existência dela. Mas eu, como muitos brasileiros de bem e como cristão, lamento a morte inaceitável desta criança, e neste momento de sofrimento eu me coloco junto dos meus parentes da família Oliveira e assumo este mesmo sofrimento, em especial o de Ana Carolina Cunha de Oliveira.


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