Em 25 de Março de 2003, a jovem Gabriela Prado de 14 anos faleceu vítima de bala perdida na saída do metrô no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro.
Na
noite do dia 07 de Fevereiro de 2007, o garoto João Helio de 6 anos ficou preso
ao cinto de segurança do lado de fora de um carro utilizado por assaltantes em
fuga, e foi arrastado por 7 quilômetros. João Hélio perdeu alguns dedos, e teve
o crânio esfacelado.
Recentemente,
na noite do dia 29 de Março de 2008, a menina Isabella de Oliveira Nardoni
faleceu após ter sido esganada, e jogada do sexto andar do Edifício London, no
distrito do Tucuruvi em São Paulo.
Balas
perdidas são uma desgraça... Mas quem aciona o gatilho da arma de forma
irresponsável e inconsequente, não tem maus sentimentos contra quem é atingido.
Os
ladrões que em sua fuga mataram o menino João Hélio, não sentiam ódio de sua
vítima... Não que eles sejam menos culpados... não... eu não tento aqui
diminuir o horror de um crime apresentando outro pior... não entendam assim...
mas eles praticaram um roubo, sentiam medo da prisão e desejavam fugir. A morte
do menino decorreu em conseqüência da pressa egoísta dos criminosos, e do
desprezo pela vida alheia.
Mas
o que sente uma pessoa que esgana a própria filha, ou a vê sendo esganada?
Admitindo hipoteticamente que não foi o pai, porque ele não impediu a madrasta?
O
que sente uma pessoa que atira - do sexto andar de um edifício - a sua própria
filha, sendo ela uma menina linda, meiga, inocente, e indefesa?
Os
assassinos não estão mais apenas nas ruas, ou nos redutos dos criminosos...
eles agora estão dentro das casas das vítimas! Eles dormem no quarto ao lado,
eles tomam café da manhã com as vítimas, passeiam com elas nas ruas, comem
pipoca, tomam sorvete, ganham beijo, ouvem "eu te amo" e recebem
presente no dia dos pais! O que acontece nesta sociedade onde os assassinos das
crianças convivem debaixo do seu próprio teto? O que mais ainda está por acontecer?
Quem
são os potenciais assassinos que caminham incógnitos entre nós, passando por
nós nas calçadas, nos shoppings, e nos supermercados, podendo a qualquer
momento fazer uma vítima inocente, motivados por sentimentos de origem
desconhecida?
Como
nos sentimos ao saber que as crianças que hoje vemos em toda parte, em qualquer
situação, podem não sobreviver ao próximo fim de semana?
Como
chegamos... a isto?
A
família Oliveira é numerosa em nosso país, e se perde em sua genealogia. Eu sou
Wildmar de Oliveira Corrêa, parente distante de Isabella. Não fosse por este
crime inominável, eu jamais saberia da existência dela. Mas eu, como muitos
brasileiros de bem e como cristão, lamento a morte inaceitável desta criança, e
neste momento de sofrimento eu me coloco junto dos meus parentes da família
Oliveira e assumo este mesmo sofrimento, em especial o de Ana Carolina Cunha de
Oliveira.
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