segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

DEVOCIONAL 3 - (publicado em 23 de dezembro de 2013)

“E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus.” (Mateus 16. 6)

Muitas pessoas se aplicam a ler a Bíblia inteira e até fixam um tempo para cumprirem este propósito. Entre estas pessoas, muitas já o fizeram várias vezes nos últimos anos e, quando o assunto vem à tona, se apressam em não omitir quantas vezes já o fizeram. Esta informação contabilista, entretanto, é uma lâmina de dois gumes: ao mesmo tempo em que exalta um feito que não deveria ser mais do que obrigação de todos, também atesta que tais pessoas já leram várias vezes o mesmo texto sem, contudo, compreendê-lo o suficiente para aplicá-lo em sua conduta pessoal.

A título de exemplo, vou tomar um pequeno fragmento do texto bíblico que se encontra no livro da Gênesis. Lembremos que Gênesis é o livro dos princípios, e que muitas coisas que até hoje são como são têm sua origem e explicação neste livro. Quando o pecado original aconteceu, o Senhor foi até Adão e Eva para saber deles o que havia ocorrido. Sendo onisciente, Ele já sabia de tudo, mas queria ouvir deles a narrativa da própria transgressão. Aquele momento foi crucial, pois iria definir o destino do homem, da mulher e da serpente e poderia ter mudado o resto da história descrita pela Bíblia. Como seria isto? Se Adão e Eva tivessem se humilhado e confessado que deliberadamente transgrediram a proibição de não comer do fruto proibido, talvez não tivessem escapado de serem expulsos do Éden, mas certamente isto teria acontecido em circunstâncias mais brandas. Ao contrário disto, Eva não assumiu a própria culpa, mas apontou a serpente como culpada. De igual maneira, Adão não assumiu sua própria culpa, mas não apenas apontou Eva como também, ao usar as palavras: “a mulher que tu me deste” insinuou que o Senhor teria dado a ele uma mulher com defeito (ou de caráter duvidoso). Ora, que a serpente tinha seduzido Eva era fato, mas Eva não poderia ter recusado? Da mesma maneira, não poderia Adão ter recusado quando Eva deu a ele o fruto que ele sabia ser proibido? E quanto à resposta de Adão ao Senhor vamos raciocinar: se Eva fosse portadora de algum “defeito”, então este “defeito” era originário de Adão, pois foi com uma costela dele que o Senhor fez a mulher. Logo, ao falar mal da esposa, Adão estava denegrindo a si mesmo sem nem perceber. Esta tentativa de apontar outro culpado por um erro que claramente era deles tornava evidente para o Senhor que o caráter de ambos já se havia corrompido.

Ninguém é obrigado a ter a mesma interpretação que eu tenho desta ou de outras passagens da Bíblia, mas, quanto a esta minha abstração, eu procuro pautá-la no bom senso, na lógica e nas minhas experiências sobre a natureza humana e meus conceitos de certo e errado. Contudo, o que eu pretendo deixar claro quanto ao exemplo que acabei de citar acima, é que NINGUÉM NESTE MUNDO, DENTRO OU FORA DA IGREJA TEM UM CARÁTER PERFEITO e/ou IRREPREENSÍVEL. Em outras palavras: TODOS NÓS TEMOS DEFEITOS E ISTO NOS FAZ IGUAIS NA IMPERFEIÇÃO.

Um dos traços mais característicos desta imperfeição é, até hoje (e a exemplo de Adão e Eva) a tendência, a capacidade que algumas pessoas têm de encontrar defeitos nos outros e apontar estes defeitos. Algumas pessoas cultivam este traço sórdido até se tornarem muito habilidosas nisto. São pessoas especialistas em encontrar defeitos onde a maioria das pessoas de coração limpo não os enxergam. E possuem a habilidade de atribuir as piores interpretações às coisas que outras pessoas fazem ou dizem, agregando visões de desdobramentos sinistros a tudo quanto procede das pessoas a quem estas desejam denegrir; e tudo isto tão somente para figurarem como baluartes da busca pela perfeição e portadoras de um caráter imaculado.

As obras de tais pessoas, entretanto, não condizem com discurso que elas defendem. São todas adeptas do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Quando conseguem estar em alguma posição de liderança ou subliderança, cuidam mais da conduta alheia do que do bom testemunho próprio e, quando ou se não têm a sua posição reconhecida, não possuem a humildade suficiente para visualizar as coisas de forma panorâmica, global, mas se retiram a passos duros (algumas vezes até vertendo lágrimas de ódio e de autopiedade: “coitadinho[a] de mim”). Isto acontece porque, como são muito dadas aos jogos, o jogo que mais as excita é o jogo dos tronos.

Obviamente estou falando dos FARISEUS. E quero deixar claro que faço isto com a preocupação que eles sempre me despertaram. Eu convivo com esta sordidez do meu semelhante desde a minha infância e, até uma boa parte da minha juventude, por uma questão de imaturidade, eu já os odiei muito. Hoje, na serenidade do conhecimento adquirido com não pouco sofrimento ao longo dos meus cinquenta anos, eu só me preocupo por enxergar e constatar como eles estão iniciando a sua “carreira” cada dia mais jovens. É bem verdade que eu não os odeio mais; apenas fico cauteloso quando eles imprudentemente se revelam (porque não sabem viver sem atrair notoriedade) e me fazem reconhecer quem eles são e enxergar onde eles estão.

Se os cristãos não deixaram de existir ao longo de dois mil e quatorze anos, os fariseus muito menos. Eles são mais antigos que nós, porque comportamento que deu origem a eles começou no Éden, como resultado de uma ação astuta da antiga serpente; logo, eles têm por pai o diabo e “puxaram” do pai deles outra nefasta característica: eles encarnam o completo significado etimológico do substantivo adjetivado: INIMIGO.

Apenas para esclarecer àqueles que não sabem; a palavra: “INIMIGO” significa: “aquele que conspira para que a sua vítima faça escolhas ou pratique atitudes que vão causar a sua autodestruição”.

CUIDADO COM O FERMENTO DOS FARISEUS.


Que o Senhor nos proteja deles e continue a nos abençoar.


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