DEVOCIONAL 3 - (publicado em 23 de dezembro de 2013)
“E Jesus disse-lhes:
Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus.” (Mateus 16. 6)
Muitas pessoas se
aplicam a ler a Bíblia inteira e até fixam um tempo para cumprirem este
propósito. Entre estas pessoas, muitas já o fizeram várias vezes nos últimos
anos e, quando o assunto vem à tona, se apressam em não omitir quantas vezes já
o fizeram. Esta informação contabilista, entretanto, é uma lâmina de dois
gumes: ao mesmo tempo em que exalta um feito que não deveria ser mais do que
obrigação de todos, também atesta que tais pessoas já leram várias vezes o
mesmo texto sem, contudo, compreendê-lo o suficiente para aplicá-lo em sua
conduta pessoal.
A título de exemplo,
vou tomar um pequeno fragmento do texto bíblico que se encontra no livro da
Gênesis. Lembremos que Gênesis é o livro dos princípios, e que muitas coisas
que até hoje são como são têm sua origem e explicação neste livro. Quando o
pecado original aconteceu, o Senhor foi até Adão e Eva para saber deles o que
havia ocorrido. Sendo onisciente, Ele já sabia de tudo, mas queria ouvir deles
a narrativa da própria transgressão. Aquele momento foi crucial, pois iria
definir o destino do homem, da mulher e da serpente e poderia ter mudado o
resto da história descrita pela Bíblia. Como seria isto? Se Adão e Eva tivessem
se humilhado e confessado que deliberadamente transgrediram a proibição de não
comer do fruto proibido, talvez não tivessem escapado de serem expulsos do
Éden, mas certamente isto teria acontecido em circunstâncias mais brandas. Ao
contrário disto, Eva não assumiu a própria culpa, mas apontou a serpente como
culpada. De igual maneira, Adão não assumiu sua própria culpa, mas não apenas
apontou Eva como também, ao usar as palavras: “a mulher que tu me deste”
insinuou que o Senhor teria dado a ele uma mulher com defeito (ou de caráter
duvidoso). Ora, que a serpente tinha seduzido Eva era fato, mas Eva não poderia
ter recusado? Da mesma maneira, não poderia Adão ter recusado quando Eva deu a
ele o fruto que ele sabia ser proibido? E quanto à resposta de Adão ao Senhor
vamos raciocinar: se Eva fosse portadora de algum “defeito”, então este
“defeito” era originário de Adão, pois foi com uma costela dele que o Senhor
fez a mulher. Logo, ao falar mal da esposa, Adão estava denegrindo a si mesmo
sem nem perceber. Esta tentativa de apontar outro culpado por um erro que
claramente era deles tornava evidente para o Senhor que o caráter de ambos já
se havia corrompido.
Ninguém é obrigado a
ter a mesma interpretação que eu tenho desta ou de outras passagens da Bíblia,
mas, quanto a esta minha abstração, eu procuro pautá-la no bom senso, na lógica
e nas minhas experiências sobre a natureza humana e meus conceitos de certo e
errado. Contudo, o que eu pretendo deixar claro quanto ao exemplo que acabei de
citar acima, é que NINGUÉM NESTE MUNDO, DENTRO OU FORA DA IGREJA TEM UM CARÁTER
PERFEITO e/ou IRREPREENSÍVEL. Em outras palavras: TODOS NÓS TEMOS DEFEITOS E
ISTO NOS FAZ IGUAIS NA IMPERFEIÇÃO.
Um dos traços mais
característicos desta imperfeição é, até hoje (e a exemplo de Adão e Eva) a
tendência, a capacidade que algumas pessoas têm de encontrar defeitos nos
outros e apontar estes defeitos. Algumas pessoas cultivam este traço sórdido
até se tornarem muito habilidosas nisto. São pessoas especialistas em encontrar
defeitos onde a maioria das pessoas de coração limpo não os enxergam. E possuem
a habilidade de atribuir as piores interpretações às coisas que outras pessoas
fazem ou dizem, agregando visões de desdobramentos sinistros a tudo quanto
procede das pessoas a quem estas desejam denegrir; e tudo isto tão somente para
figurarem como baluartes da busca pela perfeição e portadoras de um caráter
imaculado.
Obviamente estou
falando dos FARISEUS. E quero deixar claro que faço isto com a preocupação que
eles sempre me despertaram. Eu convivo com esta sordidez do meu semelhante
desde a minha infância e, até uma boa parte da minha juventude, por uma questão
de imaturidade, eu já os odiei muito. Hoje, na serenidade do conhecimento
adquirido com não pouco sofrimento ao longo dos meus cinquenta anos, eu só me
preocupo por enxergar e constatar como eles estão iniciando a sua “carreira”
cada dia mais jovens. É bem verdade que eu não os odeio mais; apenas fico
cauteloso quando eles imprudentemente se revelam (porque não sabem viver sem
atrair notoriedade) e me fazem reconhecer quem eles são e enxergar onde eles
estão.
Se os cristãos não
deixaram de existir ao longo de dois mil e quatorze anos, os fariseus muito
menos. Eles são mais antigos que nós, porque comportamento que deu origem a
eles começou no Éden, como resultado de uma ação astuta da antiga serpente;
logo, eles têm por pai o diabo e “puxaram” do pai deles outra nefasta
característica: eles encarnam o completo significado etimológico do substantivo
adjetivado: INIMIGO.
Apenas para
esclarecer àqueles que não sabem; a palavra: “INIMIGO” significa: “aquele que
conspira para que a sua vítima faça escolhas ou pratique atitudes que vão
causar a sua autodestruição”.
CUIDADO COM O FERMENTO
DOS FARISEUS.

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