sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

DAS CINZAS ÀS CINZAS (se é que você me entende)

"Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!" (Isaías 5: 20).

Será que os intelectuais acham inteligente contradizerem a si mesmos? Eu pergunto isto porque é preciso ser um intelectual para escrever um bom livro, mas isto não é tudo; também é preciso estudar muito, ser instruído e culto. Logo, a educação é e sempre deve ser o estandarte de um bom escritor. Não somente a dele mesmo, mas a dos seus leitores. Um escritor sempre contribui para a formação do pensamento e do imaginário alheios e acontece que o pensamento e a imaginação fazem parte dos alicerces de um bom caráter. Então, se é assim, por que alguns intelectuais acham inteligente criar obras que deseducam?

Pode ser que alguns leitores não tenham lembrança nem conhecimento do que vou comentar aqui, mas eu sim. Eu era criança quando os filmes da devassa Emmanuelle escandalizavam a sociedade. A imoralidade europeia é antiga, pouco conhecida e, embora fosse boa de ser vista o cinema, não era boa ao ponto de ser aceita na sociedade brasileira no tempo da minha menoridade. Os filmes de Emmanuelle eram do gênero erótico, mas a sociedade os encarava como se fossem pornográficos.

Hoje o cinema erótico aparece como algo sem graça, pois, pelo que tudo indica, o cinema pornográfico deixou de ser vulgar e alcançou o status de “cultura”. O raciocínio é simples e pode ser expresso por um adágio popular que diz: “desgraça pouca é bobagem”. Em outras palavras, se a nudez feminina e os pelos pubianos podem ser exibidos, então por que não exibir também o sexo explícito de uma vez?

Muitos não sabem, mas a proposta do romance pornográfico é coisa bem antiga. Eu era um jovem no primeiro ano do segundo grau em 1981 quando os cinemas exibiram o filme: “O Império dos Sentidos”, cuja produção é de 1976, mas que só foi exibido no Brasil cinco anos depois, certamente devido ao marketing fraco e à intervenção da Censura Federal, que ainda estava longe de ser extinta no nosso país.

“O Império dos Sentidos” é uma produção jurássica na história do cinema. É preciso enfatizar tanto para quem nasceu naquele ano quanto para quem nasceu uma década depois que, naquele tempo, ninguém sonhava que um dia haveria internet. O que importa é que este filme foi o escândalo daquela ocasião e, mesmo os adultos que não haviam visto este filme evitavam comentar sobre ele perto de crianças e adolescentes. A pornografia nunca mais foi a mesma depois dele, mas ainda estava a décadas de ser considerada “cultura”, como está sendo agora.

Mesmo depois de ter feito dezoito anos, eu não me interessei por procurar este filme, ainda que para satisfazer a curiosidade e ter a minha própria opinião. Hoje, em tempos de internet e de Youtube, mediante o frisson causado por este filme do qual eu me recuso a fazer mídia no meu blog, foi que eu lembrei-me de “O Império dos Sentidos” e fui à busca de cenas do filme para poder citá-lo, comentar sobre ele e certificar-me da possibilidade de colocá-lo em paralelo com esta outra produção tão comentada atualmente.

A princípio, fiquei surpreso por ver que a trama ocorre no Japão (e já não gostei desde aí, pois eu tenho o povo japonês em alta conta). Depois de assistir às cenas mais comentadas na ocasião, senti-me grato por nunca ter gasto um centavo sequer para ver um trabalho de tamanho mau gosto, como é este outro filme tão em voga e que deveria ter sido produzido em preto e branco para fazer jus ao seu título.

Depois disto, a minha conclusão é a seguinte: se a liberdade pode ser definida entre outras coisas como uma forma de poder, então o historiador Lorde John Emerich Edward Dalberg-Acton (1º barão Acton) está coberto de verdade pelo seu célebre pensamento, que diz: "O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus."

Digo isto porque está claro que o excesso de liberdade, do mesmo modo que o excesso de familiaridade, leva à falta de respeito. E quando eu digo isto eu não estou me referindo exclusivamente à escritora dos livros que deram origem ao filme e nem aos produtores dos mesmos. Eu me refiro aos milhares de leitoras que não apenas foram cativadas pelo personagem masculino através dos livros daquela autora, mas também o elegeram em suas concepções pessoais como o homem ideal, pois, por si só, esta atitude me revela, de maneira clara e inequívoca, que a liberdade conquistada tão arduamente pelas mulheres através de anos, tão somente serviu para que estes mesmos milhares de leitoras perdessem completamente o respeito por si mesmas.

Tudo bem... Se eu já consegui encontrar quem defendesse a cantora Britney Spears, não será difícil encontrar intelectuais de testa larga (e os de testa estreita também) que defendam este lixo cultural que poderia muito bem ter ficado apenas nas páginas dos livros, já que a escritora não foi capaz de mantê-lo como uma abstração íntima. Não é de agora que amor tem sido confundido com sexo e a importância do sexo seja cada vez mais banalizada, devido à forte conotação do sexo com a prostituição, graças à educação sexual porca e imoral do estado laico e à total ausência de um ensino de ética e moral aplicadas ao sexo, as quais abrem uma lacuna que vai ser preenchida pelos ditames da mídia, como é o caso deste péssimo exemplo do que não fazer que vem sendo projetado nas telas dos cinemas e pelo qual as pessoas ainda pagam para assistir, multiplicando a renda de quem não vai se preocupar com os efeitos futuros da sua influência nefasta.

O verdadeiro amor é sublime e, com ele, o sexo pode ser visto como uma das maiores belezas naturais criadas por Deus e vistas por Ele como algo bom. Só o verdadeiro amor dignifica o sexo e somente o sexo com amor e por amor produz o prazer que as pessoas moralmente cegas buscam em vão nas muitas formas pervertidas de prática sexual, como o sadomasoquismo.

Enfim, o amor ainda é o elemento que torna o mundo muito mais colorido e manifesta as muitas cores da vida. A policromia não é honesta e nem saudável quando temos muitos tons de uma mesma cor que nos remete à morte.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SOBRE ESSE TAL DE BBB

"... apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei;" (II Coríntios 6: 17).



Qual é a graça de subir até a parte mais alta de um tobogã? Certamente que é descer escorregando lá de cima.

E qual é a graça de ter evoluído do macaco (dizem, mas eu não acredito nisto) até chegarmos à condição do ser humano que foi à lua, envia missões a marte, criou o microcomputador, a internet e os smartphones?

Sim... Dá medo de responder a segunda pergunta de acordo com a primeira, mas é isto mesmo. Evoluímos tanto (embora eu conteste esta ‘evolução’) apenas para podermos nos dar ao luxo da decadência.
Mas se descer pelo tobogã só é divertido pelos poucos segundos da descida rápida, o mesmo não acontece com esta decadência da sociedade. Ela precisa ser lenta, gradual, do contrário não pode ser saboreada e também pode escandalizar a muitos moralistas e eles acionarem o alarme que vai fazer tudo parar. E se isto acontecer atrapalha a brincadeira e a decadência perde a graça.

Eu recordo – por exemplo – que no final de uma das edições do BBB, o Pedro Bial se reuniu com os participantes e, no meio da conversa, ele comentou que no Brasil este programa ainda não é como as edições do mesmo programa na Europa, nos quais acontece sexo grupal e o povo encara isto com naturalidade, sem o moralismo (acho que ele chegou a usar a palavra ‘hipocrisia’) do brasileiro. E desde quando ele fez este comentário, eu passei a observar não apenas o comportamento dos participantes a cada edição do programa, mas também o comportamento da produção ao selecionar estes participantes. Agora, em 2015, como estratégia de marketing, a produção nos deu uma pista valiosa do que eu estou dizendo, quando perguntaram o que será que acontece se na casa estiverem duas pessoas de temperamentos e/ou personalidades opostas e conflitantes.

É planejado. Sempre foi. Não é mera loteria. Nos bastidores da seleção dos candidatos, tem vários profissionais especialistas em comportamento humano (psicólogos com certeza e talvez até antropólogos) e o que eles fazem é muito semelhante a colocar ratos de diferentes gêneros na mesma gaiola de laboratório, pra ver se as suspeitas deles se confirmam. Mas não é experiência e sim algo calculado. Assim, as ocorrências de namoro e também as de divergências e até de confrontos, embora sejam espontâneas, são comportamentos puramente previsíveis e esperados. Foi calculado assim para garantir a emoção de quem está assistindo.

O BBB14 foi decisivo: se a audiência se mantivesse ou aumentasse, certamente neste haveria sexo grupal ou algo muito próximo a isto. Porém, diante da queda da audiência em 2014, desta vez eles tiveram o cuidado de fazer uma seleção diferente e, talvez, tenham alterado algumas regras para garantir o pudor e resgatar a audiência. Mas está bem claro (pelo menos aos meus olhos) de que a meta da produção do BBB é chegar ao nível do mesmo programa na Europa.

Mas por que isto? Ora, é fácil responder. Sexo grupal ao vivo, em tempo real, sem atores, sem roteiro, ao natural mesmo gera audiência e isto é o que atrai patrocinadores e gera dinheiro. Mas nem tudo redunda no vil metal. Ainda há outro componente: a vaidade. Quando se registra na história de um país que uma emissora de TV ou de rádio foi a primeira a fazer alguma coisa, isto não pode ser mudado e tem que ser tolerado pelas concorrentes. Logo, o título de primeira emissora do país a exibir sexo grupal ao vivo em canal aberto de televisão parece ser algo de valor a ser cobiçado. Eu tenho quase certeza de que a rede globo lamenta não ter sido a primeira emissora do país a exibir um beijo gay feminino em horário nobre.

Ter o expectador nas mãos também parece ser uma meta para a rede globo. No dia em que tivermos sexo grupal ao vivo na TV aberta e o povo responder a isto com uma audiência recorde, os produtores vão ter certeza de que é disto que o povo gosta. O gosto do público por esta qualidade de exibição vai ficar confirmado e os produtores vão se sentir à vontade para executar outras produções com o mesmo nível de conteúdo sob a forma de novelas e minisséries.

É entristecedor ver a mídia participando da formação do pensamento da massa de uma forma que caminha na contramão da formação de uma nação de caráter forte e moralmente sadio. Causa indignação ver que os recursos que poderiam estar sendo utilizados para o bem estejam sendo utilizados para levar o povo à decadência. E é difícil de acreditar que tamanho prejuízo seja apenas para garantir a supremacia da audiência e o sustento financeiro. Será difícil de enxergar que “dar o que o povo gosta” não é diferente da atitude do traficante de drogas que só vende o seu veneno porque há quem compre?

Nem toda modernidade pode ser chamada de evolução, ainda que no sentido mais equivocado desta palavra.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Após escrever a dedicatória do meu livro

Eu choro quando ninguém está olhando... Choro no meu quarto, choro no banheiro, choro vendo filmes e choro na frente do computador. Choro por vocês, choro pelos outros e choro por mim também. Eu não me sinto humano por poder sangrar, sentir frio, fome, ou dor. Sinto-me vivo e sinto-me humano porque posso chorar... Se eu não chorasse, eu teria dúvidas se sou mesmo um cristão.