"... apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei;" (II Coríntios 6: 17).
Qual é a graça de subir até a parte mais alta de um tobogã? Certamente que é descer escorregando lá de cima.
Qual é a graça de subir até a parte mais alta de um tobogã? Certamente que é descer escorregando lá de cima.
E qual é a graça de ter evoluído do macaco
(dizem, mas eu não acredito nisto) até chegarmos à condição do ser humano que
foi à lua, envia missões a marte, criou o microcomputador, a internet e os
smartphones?
Sim... Dá medo de responder a segunda
pergunta de acordo com a primeira, mas é isto mesmo. Evoluímos tanto (embora eu
conteste esta ‘evolução’) apenas para podermos nos dar ao luxo da decadência.
Mas se descer pelo tobogã só é divertido
pelos poucos segundos da descida rápida, o mesmo não acontece com esta
decadência da sociedade. Ela precisa ser lenta, gradual, do contrário não pode
ser saboreada e também pode escandalizar a muitos moralistas e eles acionarem o
alarme que vai fazer tudo parar. E se isto acontecer atrapalha a brincadeira e
a decadência perde a graça.
Eu recordo – por exemplo – que no final de
uma das edições do BBB, o Pedro Bial se reuniu com os participantes e, no meio
da conversa, ele comentou que no Brasil este programa ainda não é como as
edições do mesmo programa na Europa, nos quais acontece sexo grupal e o povo
encara isto com naturalidade, sem o moralismo (acho que ele chegou a usar a
palavra ‘hipocrisia’) do brasileiro. E desde quando ele fez este comentário, eu
passei a observar não apenas o comportamento dos participantes a cada edição do
programa, mas também o comportamento da produção ao selecionar estes participantes.
Agora, em 2015, como estratégia de marketing, a produção nos deu uma pista
valiosa do que eu estou dizendo, quando perguntaram o que será que acontece se
na casa estiverem duas pessoas de temperamentos e/ou personalidades opostas e
conflitantes.
É planejado. Sempre foi. Não é mera loteria.
Nos bastidores da seleção dos candidatos, tem vários profissionais
especialistas em comportamento humano (psicólogos com certeza e talvez até
antropólogos) e o que eles fazem é muito semelhante a colocar ratos de
diferentes gêneros na mesma gaiola de laboratório, pra ver se as suspeitas
deles se confirmam. Mas não é experiência e sim algo calculado. Assim, as
ocorrências de namoro e também as de divergências e até de confrontos, embora
sejam espontâneas, são comportamentos puramente previsíveis e esperados. Foi
calculado assim para garantir a emoção de quem está assistindo.
O BBB14 foi decisivo: se a audiência se
mantivesse ou aumentasse, certamente neste haveria sexo grupal ou algo muito
próximo a isto. Porém, diante da queda da audiência em 2014, desta vez eles
tiveram o cuidado de fazer uma seleção diferente e, talvez, tenham alterado
algumas regras para garantir o pudor e resgatar a audiência. Mas está bem claro
(pelo menos aos meus olhos) de que a meta da produção do BBB é chegar ao nível
do mesmo programa na Europa.
Mas por que isto? Ora, é fácil responder.
Sexo grupal ao vivo, em tempo real, sem atores, sem roteiro, ao natural mesmo gera
audiência e isto é o que atrai patrocinadores e gera dinheiro. Mas nem tudo
redunda no vil metal. Ainda há outro componente: a vaidade. Quando se registra
na história de um país que uma emissora de TV ou de rádio foi a primeira a
fazer alguma coisa, isto não pode ser mudado e tem que ser tolerado pelas
concorrentes. Logo, o título de primeira emissora do país a exibir sexo grupal
ao vivo em canal aberto de televisão parece ser algo de valor a ser cobiçado.
Eu tenho quase certeza de que a rede globo lamenta não ter sido a primeira
emissora do país a exibir um beijo gay feminino em horário nobre.
Ter o expectador nas mãos também parece ser
uma meta para a rede globo. No dia em que tivermos sexo grupal ao vivo na TV
aberta e o povo responder a isto com uma audiência recorde, os produtores vão
ter certeza de que é disto que o povo gosta. O gosto do público por esta
qualidade de exibição vai ficar confirmado e os produtores vão se sentir à
vontade para executar outras produções com o mesmo nível de conteúdo sob a
forma de novelas e minisséries.
É entristecedor ver a mídia participando da
formação do pensamento da massa de uma forma que caminha na contramão da
formação de uma nação de caráter forte e moralmente sadio. Causa indignação ver
que os recursos que poderiam estar sendo utilizados para o bem estejam sendo
utilizados para levar o povo à decadência. E é difícil de acreditar que tamanho
prejuízo seja apenas para garantir a supremacia da audiência e o sustento
financeiro. Será difícil de enxergar que “dar o que o povo gosta” não é diferente
da atitude do traficante de drogas que só vende o seu veneno porque há quem
compre?
Nem toda modernidade pode ser chamada de
evolução, ainda que no sentido mais equivocado desta palavra.
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