quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SOBRE ESSE TAL DE BBB

"... apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei;" (II Coríntios 6: 17).



Qual é a graça de subir até a parte mais alta de um tobogã? Certamente que é descer escorregando lá de cima.

E qual é a graça de ter evoluído do macaco (dizem, mas eu não acredito nisto) até chegarmos à condição do ser humano que foi à lua, envia missões a marte, criou o microcomputador, a internet e os smartphones?

Sim... Dá medo de responder a segunda pergunta de acordo com a primeira, mas é isto mesmo. Evoluímos tanto (embora eu conteste esta ‘evolução’) apenas para podermos nos dar ao luxo da decadência.
Mas se descer pelo tobogã só é divertido pelos poucos segundos da descida rápida, o mesmo não acontece com esta decadência da sociedade. Ela precisa ser lenta, gradual, do contrário não pode ser saboreada e também pode escandalizar a muitos moralistas e eles acionarem o alarme que vai fazer tudo parar. E se isto acontecer atrapalha a brincadeira e a decadência perde a graça.

Eu recordo – por exemplo – que no final de uma das edições do BBB, o Pedro Bial se reuniu com os participantes e, no meio da conversa, ele comentou que no Brasil este programa ainda não é como as edições do mesmo programa na Europa, nos quais acontece sexo grupal e o povo encara isto com naturalidade, sem o moralismo (acho que ele chegou a usar a palavra ‘hipocrisia’) do brasileiro. E desde quando ele fez este comentário, eu passei a observar não apenas o comportamento dos participantes a cada edição do programa, mas também o comportamento da produção ao selecionar estes participantes. Agora, em 2015, como estratégia de marketing, a produção nos deu uma pista valiosa do que eu estou dizendo, quando perguntaram o que será que acontece se na casa estiverem duas pessoas de temperamentos e/ou personalidades opostas e conflitantes.

É planejado. Sempre foi. Não é mera loteria. Nos bastidores da seleção dos candidatos, tem vários profissionais especialistas em comportamento humano (psicólogos com certeza e talvez até antropólogos) e o que eles fazem é muito semelhante a colocar ratos de diferentes gêneros na mesma gaiola de laboratório, pra ver se as suspeitas deles se confirmam. Mas não é experiência e sim algo calculado. Assim, as ocorrências de namoro e também as de divergências e até de confrontos, embora sejam espontâneas, são comportamentos puramente previsíveis e esperados. Foi calculado assim para garantir a emoção de quem está assistindo.

O BBB14 foi decisivo: se a audiência se mantivesse ou aumentasse, certamente neste haveria sexo grupal ou algo muito próximo a isto. Porém, diante da queda da audiência em 2014, desta vez eles tiveram o cuidado de fazer uma seleção diferente e, talvez, tenham alterado algumas regras para garantir o pudor e resgatar a audiência. Mas está bem claro (pelo menos aos meus olhos) de que a meta da produção do BBB é chegar ao nível do mesmo programa na Europa.

Mas por que isto? Ora, é fácil responder. Sexo grupal ao vivo, em tempo real, sem atores, sem roteiro, ao natural mesmo gera audiência e isto é o que atrai patrocinadores e gera dinheiro. Mas nem tudo redunda no vil metal. Ainda há outro componente: a vaidade. Quando se registra na história de um país que uma emissora de TV ou de rádio foi a primeira a fazer alguma coisa, isto não pode ser mudado e tem que ser tolerado pelas concorrentes. Logo, o título de primeira emissora do país a exibir sexo grupal ao vivo em canal aberto de televisão parece ser algo de valor a ser cobiçado. Eu tenho quase certeza de que a rede globo lamenta não ter sido a primeira emissora do país a exibir um beijo gay feminino em horário nobre.

Ter o expectador nas mãos também parece ser uma meta para a rede globo. No dia em que tivermos sexo grupal ao vivo na TV aberta e o povo responder a isto com uma audiência recorde, os produtores vão ter certeza de que é disto que o povo gosta. O gosto do público por esta qualidade de exibição vai ficar confirmado e os produtores vão se sentir à vontade para executar outras produções com o mesmo nível de conteúdo sob a forma de novelas e minisséries.

É entristecedor ver a mídia participando da formação do pensamento da massa de uma forma que caminha na contramão da formação de uma nação de caráter forte e moralmente sadio. Causa indignação ver que os recursos que poderiam estar sendo utilizados para o bem estejam sendo utilizados para levar o povo à decadência. E é difícil de acreditar que tamanho prejuízo seja apenas para garantir a supremacia da audiência e o sustento financeiro. Será difícil de enxergar que “dar o que o povo gosta” não é diferente da atitude do traficante de drogas que só vende o seu veneno porque há quem compre?

Nem toda modernidade pode ser chamada de evolução, ainda que no sentido mais equivocado desta palavra.


Nenhum comentário:

Postar um comentário